Li no FashionBubbles um texto da Denise Pitta falando sobre desfile de moda, onde ela comenta a importância e o poder que o desfile tem em fascinar os convidados e a imprensa em alguns minutos. Lógico que, para isso acontecer, existe por trás uma grande equipe de organizadores responsáveis pelo desempenho deste espetáculo.
Leia a matéria completa aqui.
Através disso, resolvi publicar aqui o texto que fiz para o meu TCC, sobre o evento de desfile de moda. O texto fala desde o surgimento do desfile, até a etapas a serem seguidas para a realização do mesmo.
EVENTO DE DESFILE DE MODA
A idéia do desfile surge na segunda metade do século XIX, dentro do auge da alta-costura, com o costureiro Worth, que foi o primeiro a utilizar manequins vivas para apresentar seus modelos às clientes.
Já no início do século XX, com a indústria de moda ocupando seu espaço no mercado na Europa e nos Estados Unidos, os criadores de moda exibem desfiles para um público selecionado. A popularização dos desfiles aumenta à medida que aumenta o prestígio dos costureiros. Para Braga (2006) o cinema nos anos 30 teve o compromisso de criar novos sonhos e grandes atrizes, muitas vezes consideradas manequins por exercerem também essa função.
Os desfiles da alta-costura eram fechadíssimos, muitas vezes exclusivos para clientes especiais. Com a concorrência entre os costureiros, é adotado por cada um deles um estilo de manequim. E em 1950 surge a divisão entre “manequins de desfile” e “modelos fotográficas”, cada uma priorizando um aspecto.
Em 1980, os desfiles chegam não só com o glamour da época, mas com certa liberdade nas passarelas. Vários estilos estão em evidência e os desfiles são chamados de “shows”, cada vez mais inovadores e muitas vezes chamados de grandes espetáculos. Criadores como Jean-Paul Gaultier, Viviene Westwood, Christian Lacroix, Giorgio Armani entre outros fazem verdadeiros acontecimentos, espetáculos disputadíssimos entre profissionais da moda, personalidades e consumidores.
Em 1990, Linda Evangelista, Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Cindy Crawford e outras, tornaram-se ícones de moda da época. E no mesmo período, o estilista francês Thierry Mugler, para comemoração de 20 anos da marca e o lançamento do Angel, faz no teatro parisiense “Ópera Comique” o mais caro desfile que já houve em toda a história da moda, na qual inúmeras top-models e personalidades se mesclavam na passarela. Foram gastos 20 milhões de dólares para esse único desfile. Para concluir o espetáculo de moda, um show com Charles Brown.
Em 10 de julho de 1996, Yves Saint Laurent e os modelos de sua coleção outono – inverno 97 foram apresentados no Fashion Live (www.fashionlive.com – site hoje já fora do ar). Saint Laurent causou polêmica permitindo pela primeira vez, a transmissão de um desfile em tempo real. Pouco depois, o austríaco Helmut Lang optou por realizar seu desfile exclusivamente via internet e cancelou a passarela tradicional. Outro sucesso foi o desfile de John Galliano para Dior na estação ferroviária de Austerlitz, em 1998.
Para Braga (2006), a partir de então, o ritual dos desfiles se transforma, passa de chás beneficentes de senhoras ricas e concursos de misses, para shows super profissionais que pretendiam valorizar, agradar e surpreender o público participante.
Os desfiles podem ser comerciais, com peças de roupas usáveis, ou podem ser conceituais com criações inusitadas que representa o significado da coleção e o estilo do criador. A passarela de um desfile é muito mais do que apenas o espaço por onde caminham as modelos - assim como a luz e a trilha sonora, ela serve para expor ao público o clima e o ambiente imaginado pelo estilista para apresentar sua coleção. Assim como as roupas, uma imagem que deve ser bem elaborada e impactante. Alguns criadores optam por uma passarela simples, pretas ou brancas, mas há quem prefira cenários que reforcem a imagem proposta para a coleção.
Tópicos básicos para o desenvolvimento de Projeto de Evento de Moda:
1. Objetivos: Geral - objetivo principal do evento pode ser lançar um estilista, apresentar uma marca, um novo espaço. Específicos - objetivos secundários ao evento.
2. Público-alvo: quem participará / apreciará o evento: empresários, patrocinadores, personalidades na moda, profissionais do ramo, ”formadores de opinião” e público em geral.
3. Estratégicas: para quem será o desfile; quais são as vantagens dos patrocinadores em colaborar com o desfile; qual o espaço do patrocinador na mídia direcionada ao avento; como será a divulgação do desfile; o que o público ganhará assistindo ao espetáculo.
4. Recursos: a) recursos humanos – recepcionistas relações públicas, segurança, fotógrafos, cinegrafista, profissionais do som, profissionais de iluminação e eletricistas, coordenador geral, manequins, camareiras; b) Recursos materiais – araras, cabides, crachás, cartazes de identificação, folders, banners, carta convite, materiais de escritório, equipamentos de som, imagem e outros; c) Recursos físicos - local do evento, sala para escritório do pré-evento com fax, telefone e computador com acesso a internet.
5. Implantação: o acompanhamento das fases do pré-projeto deverá ser feito por meio de cronograma de execução dos trabalhos. O desfile será divulgado através pelos meios de comunicação, enviando carta convite (para os convidados) e a imprensa especializada e confirmando-os. Programa técnico - dia, horário, local, tema a ser desenvolvido na apresentação / desfile, estilista. Cronograma - devem estar listado todas as atividades a serem desenvolvidas antes, durante e depois do desfile, com o nome do responsável pela tarefa e o prazo para a conclusão desta e os pagamentos a serem executados.
6. Acompanhamento e controle: o coordenador geral delegará atividades aos coordenadores de grupo, que tem a função de supervisionar as tarefas, para o bom andamento do trabalho pré-estipulado, assim como verificar os resultados e avaliar o evento.
7. Avaliação: a avaliação será feita pela equipe organizadora (coordenadores e diretor geral), através de análise dos resultados divulgados na imprensa, nos dados das vivências das equipes, através da observação e anotações.
8. Orçamento previsto: listar em forma de quadro, todos os desembolsos e entradas em caixa para viabilizar os compromissos a cumprir.
9. Relação da divisão de tarefas: listar todas as tarefas saídas do projeto e distribuí-las por coordenadores.
10. Conclusão final.
Para Silveira (2004) um evento é o melhor instrumento para criar um desejo na sociedade através da mídia. As marcas que organizam seus eventos, freqüentemente estão mais condicionadas a ditar moda. A moda começa a ser ditada e propagada através dos eventos de moda com apoio da mídia e é a partir principalmente dos desfiles que o “sonho e indústria” da moda trilham seu percurso de sucesso. Os desfiles e eventos de lançamentos aumentam suas proporções e alcance. No Brasil, o Morumbi Fashion (antigo nome da semana de moda de São Paulo) noticiou em sua 7ª edição (julho, 1999), que 53 milhões de pessoas entravam em contato com a moda por meio do evento e de sua divulgação pela mídia. Este é o número que aumenta a cada edição do atual São Paulo Fashion Week.
Para que tudo saia conforme planejado, sem dúvida é preciso longa trajetória de estudos, trabalho sério, dedicação e investigações. Apesar do uso de bibliografia bastante recente, principalmente a brasileira, há poucos registros, livros ou arquivos sobre os eventos de moda.

1 comentários:
Finalmente entendi o "espírito" de um desfile de moda! Cansei de ouvir: "quem vai usar isto?" sem saber explicar. Agora, já sei responder: Quem vai usar? Todos e ninguém....
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